vista de um ponto

Toda arte é um pouco egoísta. Serve, antes de tudo, para salvar o próprio artista. Salvá-lo de si, da sua loucura ou de qualquer sanidade torturante – a pior das dores. Maldita lucidez que nos faz atores do real. Nada mais brutal ao criador do que a vida prática, o cotidiano, os boletos e suas datas de vencimento. Invento um mundo sem datas de vencimento, sem limites, sem juros de cartão, sem cheque especial. Um mundo mais gato, onde ser lânguido é belo, natural. Onde se cai sempre de pé. E onde a possibilidade das setes vidas tira a urgência do agora e dá à língua o tempo da lambida. ** desenho a quatro mãos – Daniele Moraes e Marco Brito** #aartesalva #cronicadodia #palavras

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Todo fim de ano eu escrevo uma carta de agradecimento pelo que vivi e uma carta com pedidos para o ano que vai chegar. É um jeito que me inspira a reconhecer o caminho percorrido, honrar as escolhas e

Lá se vão 40 anos daquele 18 de maio de 1981. Dia de Sol em Touro. Dia em que eu, solitariamente, nasci. Deixei o lugar estreito, porém conhecido e embalado pelo coração e pelo calor da minha mãe, par

Filha única com quatro irmãos, venho de uma família de certa, podemos dizer, vanguarda. O que hoje é tão banal, os meus, os seus e os nossos, era algo que eu tinha sempre que explicar. O meu pai, o pa